quinta-feira, 6 de agosto de 2015

ESTEATOSE HEPÁTICA OU GORDURA NO FÍGADO

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  • O QUE É?
O fígado é um órgão de primordial importância, sendo a principal unidade de fabricação e armazenagem do nosso organismo e um dos responsáveis pela transformação das proteínas, dos açúcares e das gorduras que ingerimos.
A esteatose hepática é uma doença reversível que afeta o fígado e na qual se verifica uma acumulação excessiva de gordura. Ela pode ser dividida em Doença gordurosa alcoólica do fígado (quando há abuso de bebida alcoólica) ou Doença gordurosa não alcoólica do fígado, quando não existe história de ingestão de álcool significativa.
A doença se caracteriza quando o teor de triglicerídeos dentro das células hepáticas é superior a 5% do volume ou peso do fígado.
  •  CAUSAS   
O hepatócito normalmente sintetiza lipídeos e os exporta para o tecido de armazenamento, que é o tecido adiposo. Em condições normais de boa alimentação e metabolismo não há acúmulo de triglicérides no hepatócito. A esteatose pode decorrer de alterações básicas e não mutuamente exclusivas: excesso de consumo de gorduras e deficiência na produção de lipoproteína VLDL, consumo excessivo de bebida alcoólica e doenças como diabetes, obesidade, resistência insulínica.
Uma das causas principais para o desenvolvimento da esteatose é o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (esteatose hepática alcoólica), o etanol quando ingerido é convertido em acetaldeído no fígado, um composto tóxico que vai gerar uma lesão nos hepatócitos. Estima-se que o consumo de 80 g de etanol por dia durante período curto de tempo (o que equivaleria a 8 cervejas ou 200 ml de bebida destilada a 40º GL) induz alteração hepática leve e reversível. Já o de 50 a 60 g/dia consumo por tempo prolongado acarreta em lesão hepática grave e irreversível.
Outra causa está associada a associada algumas condições como a resistência a insulina, obesidade, dislipidemia e diabetes mellitus tipo 2. Fatores que quando combinados recebem a denominação de síndrome metabólica e ocorrem principalmente em decorrência de uma alimentação com alto teor de carboidratos de alto índice glicêmico (massas refinadas, açúcares e doces), alta ingestão de gorduras saturadas e desequilíbrio da ingestão de ácidos graxos ômega-6 e ômega-3. O sedentarismo também pode agravar esse processo.
Alguns estudos trazem que a resistência à insulina pode levar a um acúmulo de triglicerídeos no interior dos hepatócitos devido à oxidação ineficiente de ácidos graxos, aumento da síntese e absorção e diminuição da secreção pelo fígado de lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL). Com o acúmulo de lipídeos nas células hepáticas, estes se tornam mais sensíveis aos radicais livres, que provocam peroxidação lipídica lesando assim as membranas plasmáticas e mitocôndrias o que provoca a morte das células.
Outras causas são as carências alimentares (dieta pobre em proteínas), o uso de alguns medicamentos (por exemplo, corticóides, amiodarona, aspirina, metotrexato, vitamina A, ácido valpróico, tetraciclina), hepatite viral, a cirurgia de bypass intestinal para tratar situações de obesidade mórbida, algumas toxinas hepáticas e algumas doenças hereditárias (por exemplo, doença de Gaucher, doença de Niemann-Pick).
O fígado é um órgão que desempenha inúmeras funções bioquímicas necessárias para a homeostase de todo o organismo, como a síntese de proteínas plasmáticas, produção da bile, síntese de lipoproteínas, glineogênese, detoxificação de substâncias químicas, entre outras funções. Assim o acúmulo excessivo de triglicerídeos intra-hepáticos leva a alterações em todo o metabolismo. Uma das consequências da esteatose hepática é que esta pode evoluir para um quadro de cirrose e insuficiência hepática, levando a perda da função do órgão.
  •  SINTOMAS
Esta doença costuma cursar sem sintomas, sobretudo se desenvolve de uma forma progressiva. Nos casos em que surge de uma forma súbita, podem surgir sintomas como dor na parte superior direita do abdômen e icterícia (cor amarela dos olhos e/ou pele).
  •  DIAGNÓSTICO
Primeiro o diagnóstico é a realização através de uma história clínica, com o objetivo de identificar alguma(s) causa(s) possível (is) para esta situação.
A observação física também é importante, pois permite identificar, através da palpação abdominal, a existência de um fígado aumentado de tamanho (hepatomegália), com uma superfície lisa e indolor.
As análises de sangue que traduzem o funcionamento do fígado podem revelar alterações no órgão, através da análise dasenzimas hepáticas na Trasaminase Glutâmica Oxalacética (TGO), Transaminase Glutâmico Pirúvico (TGP) e do Gama Glutamil Transpeptidasa (Gama GT).
O diagnóstico será feito com exames que permitam visualizar o fígado, como a ecografia ou a tomografia computorizada ou ultra som de abdômen total, que evidenciam um excesso de gordura no fígado.
 O diagnóstico de certeza é feito com a realização de uma biopsia hepática (do fígado), embora esta não seja, geralmente, necessária.
  • TRATAMENTO
Esta doença não tem um tratamento específico. Porém, deve-se eliminar a(s) causa(s), ou seja, se a causa é a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas, então há que suspender essa ingestão o mais rapidamente possível. Se a causa for à obesidade, devem adaptar-se medidas que visem à perda de peso.
Se esta doença estiver a ser provocada por um determinado medicamento, há que substituí-lo por outro de efeito equivalente, nunca esquecendo que essa substituição só deverá ser realizada pelo seu médico assistente.
Nos casos devidos a uma alimentação deficitária, é importante corrigir essa deficiência.
Um exemplo de tratamento da doença de base são os doentes com diabetes mellitus mal controlada ou hipercolesterolêmicos e que desenvolvem esteatose hepática.
Nesta situação o doente deve esforçar-se por manter os níveis de açúcar no sangue dentro dos valores normais, assim como de LDL colesterol , conseguindo-se assim, reverter a esteatose.
Portanto, para evitar o desenvolvimento dessa doença e suas possíveis complicações é preciso manter uma dieta equilibrada, dando preferência ao consumo de carboidratos complexos, gorduras poli-insaturadas e estar atento ao consumo de vitaminas e sais minerais, associando a prática de exercícios físicos e evitando o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, alimentos industrializados, refrigerantes, doces, frituras e alimentos que contenham alto teor de gorduras (carnes gordas, embutidos, bacon).
Alguns alimentos mais específicos ajudam na detoxificação do fígado: alcachofra, vegetais verdes escuros, nabo, açafrão, chá verde, chá de dente de leão.

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