- O QUE É?
O fígado é um órgão de primordial importância, sendo a principal
unidade de fabricação e armazenagem do nosso organismo e um dos
responsáveis pela transformação das proteínas, dos açúcares e das
gorduras que ingerimos.
A esteatose hepática é uma doença reversível que afeta o fígado e na qual se verifica uma acumulação excessiva de gordura. Ela pode ser dividida em Doença gordurosa alcoólica do fígado (quando há abuso de bebida alcoólica) ou Doença gordurosa não alcoólica do fígado, quando não existe história de ingestão de álcool significativa.
A doença se caracteriza quando o teor de triglicerídeos dentro das
células hepáticas é superior a 5% do volume ou peso do fígado.
- CAUSAS
O hepatócito normalmente sintetiza lipídeos e os exporta para o tecido
de armazenamento, que é o tecido adiposo. Em condições normais de boa
alimentação e metabolismo não há acúmulo de triglicérides no hepatócito.
A esteatose pode decorrer de alterações básicas e não mutuamente
exclusivas: excesso de consumo de gorduras e deficiência na produção de
lipoproteína VLDL, consumo excessivo de bebida alcoólica e doenças como
diabetes, obesidade, resistência insulínica.
Uma das causas principais para o desenvolvimento da esteatose é o
consumo excessivo de bebidas alcoólicas (esteatose hepática alcoólica), o
etanol quando ingerido é convertido em acetaldeído no fígado, um
composto tóxico que vai gerar uma lesão nos hepatócitos. Estima-se que o
consumo de 80 g
de etanol por dia durante período curto de tempo (o que equivaleria a 8
cervejas ou 200 ml de bebida destilada a 40º GL) induz alteração
hepática leve e reversível. Já o de 50 a 60 g/dia consumo por tempo prolongado acarreta em lesão hepática grave e irreversível.
Outra causa está associada a associada algumas condições como a
resistência a insulina, obesidade, dislipidemia e diabetes mellitus tipo
2. Fatores que quando combinados recebem a denominação de síndrome
metabólica e ocorrem principalmente em decorrência de uma alimentação
com alto teor de carboidratos de alto índice glicêmico (massas
refinadas, açúcares e doces), alta ingestão de gorduras saturadas e
desequilíbrio da ingestão de ácidos graxos ômega-6 e ômega-3. O
sedentarismo também pode agravar esse processo.
Alguns estudos trazem que a resistência à insulina pode levar a um
acúmulo de triglicerídeos no interior dos hepatócitos devido à oxidação
ineficiente de ácidos graxos, aumento da síntese e absorção e diminuição
da secreção pelo fígado de lipoproteínas de muito baixa densidade
(VLDL). Com o acúmulo de lipídeos nas células hepáticas, estes se tornam
mais sensíveis aos radicais livres, que provocam peroxidação lipídica
lesando assim as membranas plasmáticas e mitocôndrias o que provoca a
morte das células.
Outras causas são as carências alimentares (dieta pobre em proteínas), o
uso de alguns medicamentos (por exemplo, corticóides, amiodarona,
aspirina, metotrexato, vitamina A, ácido valpróico, tetraciclina),
hepatite viral, a cirurgia de bypass intestinal para tratar situações de
obesidade mórbida, algumas toxinas hepáticas e algumas doenças
hereditárias (por exemplo, doença de Gaucher, doença de Niemann-Pick).
O fígado é um órgão que desempenha inúmeras funções bioquímicas
necessárias para a homeostase de todo o organismo, como a síntese de
proteínas plasmáticas, produção da bile, síntese de lipoproteínas,
glineogênese, detoxificação de substâncias químicas, entre outras
funções. Assim o acúmulo excessivo de triglicerídeos intra-hepáticos
leva a alterações em todo o metabolismo. Uma das consequências da
esteatose hepática é que esta pode evoluir para um quadro de cirrose e
insuficiência hepática, levando a perda da função do órgão.
- SINTOMAS
Esta doença costuma cursar sem sintomas, sobretudo se desenvolve de uma
forma progressiva. Nos casos em que surge de uma forma súbita, podem
surgir sintomas como dor na parte superior direita do abdômen e
icterícia (cor amarela dos olhos e/ou pele).
- DIAGNÓSTICO
Primeiro o diagnóstico é a realização através de uma história clínica,
com o objetivo de identificar alguma(s) causa(s) possível (is) para esta
situação.
A observação física também é importante, pois permite identificar,
através da palpação abdominal, a existência de um fígado aumentado de
tamanho (hepatomegália), com uma superfície lisa e indolor.
As análises de sangue que traduzem o funcionamento do fígado podem revelar alterações no órgão, através da análise dasenzimas
hepáticas na Trasaminase Glutâmica Oxalacética (TGO), Transaminase
Glutâmico Pirúvico (TGP) e do Gama Glutamil Transpeptidasa (Gama GT).
O diagnóstico será feito com exames que permitam visualizar o fígado,
como a ecografia ou a tomografia computorizada ou ultra som de abdômen
total, que evidenciam um excesso de gordura no fígado.
O diagnóstico de certeza é feito com a realização de uma biopsia
hepática (do fígado), embora esta não seja, geralmente, necessária.
- TRATAMENTO
Esta doença não tem um tratamento específico. Porém, deve-se eliminar
a(s) causa(s), ou seja, se a causa é a ingestão excessiva de bebidas
alcoólicas, então há que suspender essa ingestão o mais rapidamente
possível. Se a causa for à obesidade, devem adaptar-se medidas que visem
à perda de peso.
Se esta doença estiver a ser provocada por um determinado medicamento,
há que substituí-lo por outro de efeito equivalente, nunca esquecendo
que essa substituição só deverá ser realizada pelo seu médico
assistente.
Nos casos devidos a uma alimentação deficitária, é importante corrigir essa deficiência.
Um exemplo de tratamento da doença de base são os doentes com diabetes
mellitus mal controlada ou hipercolesterolêmicos e que desenvolvem
esteatose hepática.
Nesta situação o doente deve esforçar-se por manter os níveis de açúcar
no sangue dentro dos valores normais, assim como de LDL colesterol ,
conseguindo-se assim, reverter a esteatose.
Portanto, para evitar o desenvolvimento dessa doença e suas possíveis
complicações é preciso manter uma dieta equilibrada, dando preferência
ao consumo de carboidratos complexos, gorduras poli-insaturadas e estar
atento ao consumo de vitaminas e sais minerais, associando a prática de
exercícios físicos e evitando o consumo excessivo de bebidas alcoólicas,
alimentos industrializados, refrigerantes, doces, frituras e alimentos
que contenham alto teor de gorduras (carnes gordas, embutidos, bacon).
Alguns alimentos mais específicos ajudam na detoxificação do fígado: alcachofra, vegetais verdes escuros, nabo, açafrão, chá verde, chá de dente de leão.

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